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MANIPULAÇÃO SIONISTA, A
Alain Coutte

Páginas -176            Ano - 2005
  R$ 35,00         
 

As maquinações genocidas de Israel progridem lenta mas seguramente. Os israe­lenses estão engajados em um processo a longo termo de depuração étnica dos pales­tinos, com o objetivo de “reconquistar a terra” para os judeus. Esse é o objetivo muito claro de Theodor Herzl, desde 1895: “o processo de expropriação... deve ser con­duzido a bom termo, discretamente e com circunspecção” até Ariel Sharon, em 1998: “Tudo o que não se puder arrancar acabará nas mãos deles”.

As vítimas resistem, principalmente graças a meios pacíficos, como durante a primeira Intifada, durante a qual mais de mil palestinos são mortos pelo Estado etno-purificador. Mas com a segunda Intifada, a população palestina, em uma situação ainda mais desesperada, recorre à violência dos atentados suicidas. Os meios pacíficos não obtêm qualquer resultado — a Organi­zação das Nações Unidas e a pretensa “co­munidade interna­cional” fracassam lamen­tavelmente, ao longo de sucessivas décadas, em pôr um termo à purificação étnica inexorável per­petrada pelos israelenses. A segunda Intifada induz uma escalada da violência israelense bem como uma nova estrutura de pensamento genocida em Israel, con­sistindo em estratégias de pauperização deliberada e “transferência” dos palestinos, o que não deixa de ser agravada pela ameaça de que se ruma “à imposição deliberada a um grupo humano, de condições de vida tais que elas acarretam sua destruição, total ou parcial.”

O que Israel pôde inscrever nos fatos, safando-se muito bem, sem ser inquietado, é absolutamente estupeficante. De início, é um Estado abertamente racista, explicita­mente reservado aos judeus, todos os outros ali sendo, de fato, cidadãos de segunda cate­goria — uma “Herrenvolk Democratie”, regida por um “povo de senhores”, diz Ba­ruch Kimmerling, professor de sociologia na Universi­dade de Tel Aviv. Se os judeus da França fossem tratados como os árabes palestinos, cidadãos israelenses em Israel, ouviríamos altos brados, por todo o mundo, denun­ciando o anti-semitismo e o racismo gras­sando na França, que não deixaria de ser condenada e lançada no ostracismo.

Em conclusão, Israel é o único país no mundo, graças à cumplicidade passiva da Organização das Nações Unidas e do mundo civilizado, que pode permitir-se ter um sis­tema político ra­cista, capaz, inclusive, de conceder aos ju­deus que vivem no estran­geiro mais direitos do que concede aos ára­bes nativos vi­vendo em seu território.

Alain Coutte